Se mesmo depois de tudo, continua a ecoar na mente, é porque vale a pena. É porque, por muito que o risco seja grande, a recompensa é maior. É porque importa mais que os demais e soa melhor que o agora. Às vezes só nos apercebemos de um momento quando se torna memória eterna no efémero sentido da vida. Agarramo-nos ao passado sem perceber que o tempo continua, e não deixamos que o futuro flua sem grandes planos pela vida. Orgulhamo-nos do que fomos sem deixar que o que "viremos a ser" apareça no pensamento. É a vida. As pessoas lixar-te-ão sem te dar importância, e as mínimas coisas na vida recompor-te-ão. Iremos culpar novos amores por coisas que os antigos fizeram e perder amizades que julgámos eternas. Iremos implorar para que algumas pessoas fiquem na nossa vida mesmo sabendo que não passam de ideias sonhadas. Há dias em que iremos sentir tudo e outros em que o "nada" nos invade. Descobriremos os nossos talentos depois da hora do espectáculo e mesmo assim o céu fará de nós estrelas. Por muito que o tempo passe, alguém nos há-de fazer felizes nem que seja por instantes. E o pouco de nós que será doado ao Mundo, fará de eternos os pensamentos de alguém. Mesmo não tendo mínima ideia do número da cena, os realizadores disto tudo somos nós. Mesmo havendo final feliz ou calamidade insegura.
domingo, 15 de outubro de 2017
Ponto da situação.
terça-feira, 29 de agosto de 2017
Antes do Mundo te dizer quem deverias ser.
Consegues lembrar-te de quem eras antes do Mundo te dizer quem deverias ser? Muito antes de construires esse reino de esperança e desistires de ideias coladas a cuspo nessa infancia de sonhos inacabados. Consegues lembrar-te que eras poesia mesmo antes de todos saberem ler? E que mesmo sem rimas, lias todos os pensamentos que fervilhavam na tua cabeça? A verdade é que sabias a posição das galáxias sem precisares de mapa e decoravas todas as mil fases e infinitas formas de ser que eu escondia. Arriscaste para te conformares que as tuas ideias não eram assim tão sem sentido como te diziam ser e mudaste de lugar algumas certezas que tinham ganho pó de tanto esperar. Lembras-te de todas as vezes que quiseste desperdiçar lágrimas em coisas absurdas que acabaram por se transformar em risos ocasionais? É que mesmo parecendo que não, todos esses momentos estão guardados para que um dia sejas a pessoa que sempre quiseste ser. Sem holofotes incandescentes apontados para uma passadeira vermelha de olhares da sociedade. Mesmo sabendo que foste aquilo que o Mundo quis que fosses, lembra-te que a Alice só chegou à Terra dos sonhos depois de ter caído. E conforma-te que não és uma gota do oceano, mas sim todo o oceano numa gota.
quinta-feira, 20 de julho de 2017
Foi um prazer que não era para ser.
Desapegar é a liberdade mais triste que conheço, mas a que mais corações conscientes faz. Desperta-nos para a realidade de que um instante distante diz tanto sem dizer nada. Soluciona problemas engendrados por dias sem que as mãos se desenlacem com troca de olhares profundos. Porque na realidade foi um prazer que não era para ser, e por mais olhares trocados acabados em sorrisos, essa atitude será sempre a tua imagem de marca. Desapego é deixar que o céu exista sem estrelas mesmo que isso seja pura impossibilidade. Mas a verdade é que um dia nos cansaremos de estar presentes na tristeza de pessoas que não nos convidam para as suas alegrias, e correremos sem coração destinado por entre veias cheias de promessas. De repente, apaixonar-nos-emos pela possibilidade de nos apaixonarmos de repente, e esse ciclo vicioso de quem tudo tem a perder desabrocha sem pétalas de esperança. Desapego é ousadia de quem aprende a ser o filtro e não a esponja. De quem não me julga pela coragem que te falta e pensa no que quiser sem consciência de futuro. Desapego implica aprender a desfazer nós para dar mais espaço aos laços, mesmo sabendo que um dia a corda acabará. Mas fica sabendo que enquanto eu te quiser, não te preocupes com quem me quer, mesmo sabendo que nunca resultaremos. Porque eu sei que o Universo entenderá o recado.
terça-feira, 27 de junho de 2017
Dilúvios à janela.
Eram como o café e o leite. Ele tirava o sono dela e ela deixava-o menos amargo. Sentavam-se sempre na janela da sua secreta morada e ficavam calados como duas pessoa a transbordar pela cabeça. Se um instante é suficiente para a mente tropeçar no coração, o mais certo era serem detentores de uma numerosa família de arranhões.
Coberta de relíquias para a vida, todos os dias ela deixava os sonhos na cama e vestia a sua pele de viver, percorrendo caminhos de quem nunca quis ser ignóbil demais. Não era boa entendedora e meias palavras não lhe bastavam como contentamento em vésperas de atingir o limite.
Passou a plantar epopeias solenes no seu cérebro e deixou afogar-se em todas as perguntas guardadas debaixo da cama. Hoje fotografa dias bons e só as revela a quem sabe que tem o coração mas leve que o dela. Porque em dias de chuva, o café perde a amargura de palavras contadas à janela e os sonhos tornam-se insónias constantes.
Sabe que ele só volta depois de aprender com mais três porque queria um amor tão certo como o café que bebe todos os dias ao acordar. Agora, reticente em perceber que a amargura não mata sonhos, relembra as horas de trovoadas que passara à janela com ele. Talvez, um dia se esbarrem e se conheçam de novo, com um olhar mais maduro e o coração mais decidido. Talvez sejam experiências de uma vida em que só quem é inteiro, sabe transbordar. Mesmo assim ela agradece, e sonha com um Inverno mais chuvoso que o anterior. Porque em dias de Verão, o café é muito amargo.
domingo, 11 de junho de 2017
Ela é assim.
Ela é assim... Inteiramente consciente do que merece por dia. Ela é de exageros simples com regras curtas mas sempre de cérebro leve. Evita gente vazia porque tem a alma carregada do essencial. Cada dia ela é mais dela e menos do que o que esperam dela. Vive em linhas tortas porque as direitas só olham em frente e não deixa que a poesia a encante como antes. Ela é dona de si sem se abstrair do concreto elogio que o Mundo lhe faz todos os dias. Por muito que tentem ela não deixa de decidir histórias hipotéticas e não tolera que interrompam o seu sono de sonhos eternos. Ela não é flor que se cheire mas sim jardim que se aprecie. Pensa demais quando devia pensar de menos mas o tempo lhe ensinará que isso não passam de meras curiosidades do momento. A vida é uma despedida constante do que somos agora para o que vamos ser adiante e ela tem bem ciente em si todo o valor que o céu lhe oferece em dias de chuva. É miúda de aventuras inesperadas com mochila de conhecimento humilde às costas. E por muito que saibam disso deixam atropelar-se por ideias que só ela sabe defender. Ela é poesia que nem toda a gente sabe ler. Revela-se a quem a contempla quando mais nada a sabe ver. Porque ela é uma bailarina que aprende a dançar conforme o caos.
terça-feira, 23 de maio de 2017
Eu quero dar mais sentido ao Universo do que o número 42.
Eu quero dar sentido ao Universo. Sem destruir ideias, quero fazer sentido na lógica do Big Bang. Afirmar-me Einstein por loucas teorias eternas e histórias de poeiras perdidas numa imensidão de escolhas cósmicas. Quero motivar-me para alcançar mais palavras contadas em anos luz e provar que o Mundo não gira à tua volta. Por muito que penses que alguma vez girou. Arranco o destacável das promoções que as estrelas guardam e uso-o para te dizer que a jornada é mais importante que o destino. Porque sabes bem a verdade. Que quando não dizemos o que sentimos, a estrela polar vai embora sem saber que talvez tivesse motivo para ficar. E vai embora tanto de coração como de cabeça. Desaparece sem deixar rasto porque as provas do tempo imortal foram contigo enquanto ganhavas coragem para falar de astros. Quem faz céus de distância procura as milhares de coisas que ficaram por dizer. Centra-se no absurdo sem se preocupar com opiniões de quem se acha crítico demais. Eu quero dar mais sentido ao Universo do que o número 42. E ás vezes custa. Mas custar vale o Mundo inteiro e os arredores.
quarta-feira, 17 de maio de 2017
Fleumática.
Certifico-me que todos os dias aceito o espaço que há entre o que sou e o que quero ser. Equilibro-me na fugaz corda bamba que a vida me dá. Penso no que já conheci e recordo-me do que sou. Agora. Sem pretensões de futuro. Sem lamechices de estar sozinha no Mundo. Abraço-me sem medo de retorno a longo prazo. "Primeiro acredito, porque é assim que tudo começa. Depois, descomplico, porque é assim que tudo avança. A seguir confio, porque é assim que respiro fundo.". Fleumática, reconheço o céu azul de pensamentos. Equilibro-me e penso que nada nem ninguém me pode parar. Que um estar só é muito mais que um estar só. Que me dá oportunidades estrondosas de perceber que o "para sempre" é composto de "agoras". Às vezes não há nada mais a fazer. É deixar chover e esperar que o raio de sol mais próximo flutue na panóplia de caminhos eternos que há. Alguém há de aparecer e perceber os meus ciúmes sem razão e as minhas vergonhas mais profundas. Alguém há de dançar mesmo sem saber como, só para me animar nos momentos mortos da vida. Alguém há de me fazer rir até chorar. E neste tempo todo, reúno toda a sorte que tenho e tento perceber o anjo da guarda que me foi dado. Apenas sendo paciente. Espero. Porque alguém irá aparecer muito sorrateiramente num dia menos bom. Pelo menos, assim me caiu na almofada a estrela que o ditava.
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