quarta-feira, 17 de maio de 2017

Fleumática.

Certifico-me que todos os dias aceito o espaço que há entre o que sou e o que quero ser. Equilibro-me na fugaz corda bamba que a vida me dá. Penso no que já conheci e recordo-me do que sou. Agora. Sem pretensões de futuro. Sem lamechices de estar sozinha no Mundo. Abraço-me sem medo de retorno a longo prazo. "Primeiro acredito, porque é assim que tudo começa. Depois, descomplico, porque é assim que tudo avança. A seguir confio, porque é assim que respiro fundo.". Fleumática, reconheço o céu azul de pensamentos. Equilibro-me e penso que nada nem ninguém me pode parar. Que um estar só é muito mais que um estar só. Que me dá oportunidades estrondosas de perceber que o "para sempre" é composto de "agoras". Às vezes não há nada mais a fazer. É deixar chover e esperar que o raio de sol mais próximo flutue na panóplia de caminhos eternos que há. Alguém há de aparecer e perceber os meus ciúmes sem razão e as minhas vergonhas mais profundas. Alguém há de dançar mesmo sem saber como, só para me animar nos momentos mortos da vida. Alguém há de me fazer rir até chorar. E neste tempo todo, reúno toda a sorte que tenho e tento perceber o anjo da guarda que me foi dado. Apenas sendo paciente. Espero. Porque alguém irá aparecer muito sorrateiramente num dia menos bom. Pelo menos, assim me caiu na almofada a estrela que o ditava.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

No Drama Llama.

Os dramas que te surge na cabeça não passam de meros alfinetes que tentam encontrar o invulgar local de repouso de ideias absurdas. Surgem de dias menos bons. Esquecidos na mente de quem nunca os relembra. Dramas são casos a ponderar. Não se desprezam na eventualidade de um dia fazerem sentido existir. E não se escondem por razões que te fazem pensar se algum dia, por mero acaso de gente, alguém os encontrará debaixo do monte de ideias postas a um canto. Dramas são dramas. Corroem os pensamentos sem qualquer sentimento de estima pelos neurónios que se vão escapando ao mortal aglomerado de massas interiores. Definem-se em pequenos sacos de pó que atingem o limite de histórias mal contadas por outros que não tu. Dramas são dramas na sua essência de ser. Hierarquizam momentos como mais ninguém o sabe fazer e obrigam-te a tomar as decisões mais ponderadas de segundos. Quem dramatiza sabe que escrever uma carta de pensamentos na escuridão de cabeças frias nem sempre resulta da melhor forma. Porque o único que não passa por isto, sabe menos que uma mula.
No Drama Llama. 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Uma espécie de Peter Pan crescido.

Às vezes lembro-me de ti e penso em tudo o que já foste. Nas asas que ganhaste para conquistar as estrelas e  nos voos em que perdeste as horas. Percebo que mesmo calado falas mais que o meu subconsciente desmotivado pela alma limpa de uma vontade de ser feliz imensa. Ensinaste-me que a teoria do caos não desorganiza momentos porque não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses. Lembro-me disso como me lembro de ti. E hoje sei que em mentes quadradas ideias novas não circulam. Por isso, aqui te escrevo em letras soltas que finalmente tenho alma. Numa lógica de casualidade sem me levar abaixo para que tu permaneças inteiro. Sem medos nem receios aponto o dedo a essa espécie de Peter Pan crescido que te guia num caminho de ventos a sul. E agradeço de forma eterna esses pós mágicos de sininho que de vez em quando te lembras de esfregar no hipotálamo. Hei de saber todos os teus segredos um dia. Nem que me contes em sonhos mágicos, Cérebro.

"Nunca diga "adeus", porque dizer "adeus" significa ir embora e ir embora significa esquecer."

quarta-feira, 8 de março de 2017

Hoje celebram-se essas curvas.

Hoje é o dia do sexo que consegue fazer 2 coisas ao mesmo tempo. Que um dia já se sentiu inferior mas hoje governa o Mundo sem papas na língua. Hoje é dia daquelas criaturas que estão sempre certas mesmo estando erradas. Que produzem paciência em quantidades abismais que chega mesmo a ser virtude. Que todos os passos dados determinam a história de gerações futuras. Que mexem com opiniões trancadas a sete chaves nos seres que não dominam todos os neurónios que têm. Hoje é dia do cor de rosa, do salto-alto e da mini-saia. Das complicações mais descomplicadas e dos pensamentos mais profundos. Do ser mais falador e mais "Não tenho nada para vestir!". Hoje celebram-se essas curvas e todos os seus pontos de viragem. Glorificam-se os brilhantes de esforço passado para que possam continuar a chover "noites de miúdas". Hoje é o dia daquela comunidade que não se consegue decidir entre compras ou comer tudo sem engordar. E mesmo sendo chatas, conseguem ser Elas. 
Porque isso não nos impede de ter mais tomates que vocês.   
Mulheres há muitas seu palerma... mas nenhuma é como aquela.  

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Cada um se salva a si.

Nascemos para ser reais e não para ser perfeitos na eternidade de momentos. E fomos feitos sem asas para que voar se torne um sonho de cabeças na lua. O nosso tempo organiza-se de forma a que todos os momentos se tornem memórias de diários escritos em pantufas. Não morremos quando estamos há espera porque isso seria um final de filme e nunca pedi para ser atriz de banheira. As coisas nunca acabam quando estão mal. E é impressionante a forma como nos tornamos artistas irreconhecíveis quando andamos de coração partido. O Mundo sabe que há momentos para tudo. E para todos. E obriga-nos a pensar e repensar em respostas que só os Deuses podem dar. Um dia percebemos que o imperfeito nos distingue dos outros. E orgulhamo-nos tanto disso como de conseguirmos enfiar a linha na agulha. Acho que o objetivo disto tudo não passa de percebermos o porquê de termos nascido. E acredito que nós escolhemos quem somos. Porque ninguém pega numa lupa e te tenta salvar no meio de 7 biliões de insignificantes efémeros. Cada um se salva a si. Ninguém te dá nada só por dar. E só tu sabes o que queres, sem desculpas de uma tigela e meia. Ou tentativas de sonhos profundamente irreais. 
Adorava ser um donut numa França de baguetes.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Aproveitem sem "E se?"

O destino é assim, faz acontecer mesmo sendo impossível. Ensina-nos que nada é dado só por ser dado. E mostra-nos a importância de sermos nós sem nada a acrescentar. A vida dá-te e tira-te tudo num instante. Sufoca-te de momentos que não merecias e dá-te outros que não pediste. Valorizar o presente porque nada é garantido no futuro. Relembrar o passado sem exceder o limite de velocidade. O tempo corre e percebemos que  "O tempo cura tudo." não passam de umas meras palavras ditas por um imbecil sem noção de perda. Os nervos passam mas as memórias ficam numa passagem que se torna curta. E ninguém sabe se há de ir ou de ficar com esperança de um "Tudo está bem.". O tempo ensina-nos a crescer. Mostra-nos que o lema da nike é tão verdadeiro como uma noite de sono bem passada e que há silêncios que valem mais que conversas de meia noite entre muitos.
E assim entendemos que há coisas insignificantes. Que meras coincidências não são meras coincidências. Que ninguém passa por nós só por passar. Que há momentos que só se vivem uma vez porque o destino assim quis. Que um amanhã pode não estar assim tão perto. E que "valorizar" vale mais que todas as outras palavras no dicionário. 
O Mundo enche-nos de exemplos e rouba-nos a justiça de um "E se?!". Ensina-nos que os mais pequenos defeitos não passam das melhores virtudes e que os piores sermões evidenciam o interior das pessoas. Não há remorsos. As palavras são feitas para serem ditas no momento em que devem ser ditas. E os planos não são para ser feitos para a vida mas sim para o momento. Nada é certo. E hoje as estrelas brilham mais. 
 Aproveitem sem "E se?"

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Metáfora dos "O's".

Há uns meses atrás passei a fazer os "O's" ao contrário. Em sentido horário como os ponteiros do relógio insistem em fazer. Não sei porquê, mas isso dá-me uma sensação de liberdade sem ser perfeita mas a ser única. Nada de especial, eu sei, mas eu juro que todos os "O's" que escrevo durante o dia adoram ser escritos ao contrário. Simplesmente adoram ao contrário dos outros adorar porque veem o sentido da vida do avesso. Tem que ser ponderado. Mas nada que uma mudança de caneta não aguente. Escrever um "O" em sentido horário sem nos sentirmos presos ao tempo de escrita de um "O" normal capta-nos. Na realidade os "O's" normais acabam por se esgotar na prateleira dos "mais usados" e isso torna-se um risco demasiado alto para eu correr. Logo eu, que detesto a palavra "stock". Por isso optei pelos "O's" de meia tigela, os renegados por todos mas que acabam por ser os heróis. Eles gostam. E esperam ansiosos para serem usados. 
O problema é que andam por aí muitos que não são do avesso. Metáfora. (Com o "O" do avesso.E então eu tentei. Escrevi um "M" da direita para esquerda, com medo de ficar com problemas de stock.