terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Cada um se salva a si.

Nascemos para ser reais e não para ser perfeitos na eternidade de momentos. E fomos feitos sem asas para que voar se torne um sonho de cabeças na lua. O nosso tempo organiza-se de forma a que todos os momentos se tornem memórias de diários escritos em pantufas. Não morremos quando estamos há espera porque isso seria um final de filme e nunca pedi para ser atriz de banheira. As coisas nunca acabam quando estão mal. E é impressionante a forma como nos tornamos artistas irreconhecíveis quando andamos de coração partido. O Mundo sabe que há momentos para tudo. E para todos. E obriga-nos a pensar e repensar em respostas que só os Deuses podem dar. Um dia percebemos que o imperfeito nos distingue dos outros. E orgulhamo-nos tanto disso como de conseguirmos enfiar a linha na agulha. Acho que o objetivo disto tudo não passa de percebermos o porquê de termos nascido. E acredito que nós escolhemos quem somos. Porque ninguém pega numa lupa e te tenta salvar no meio de 7 biliões de insignificantes efémeros. Cada um se salva a si. Ninguém te dá nada só por dar. E só tu sabes o que queres, sem desculpas de uma tigela e meia. Ou tentativas de sonhos profundamente irreais. 
Adorava ser um donut numa França de baguetes.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Aproveitem sem "E se?"

O destino é assim, faz acontecer mesmo sendo impossível. Ensina-nos que nada é dado só por ser dado. E mostra-nos a importância de sermos nós sem nada a acrescentar. A vida dá-te e tira-te tudo num instante. Sufoca-te de momentos que não merecias e dá-te outros que não pediste. Valorizar o presente porque nada é garantido no futuro. Relembrar o passado sem exceder o limite de velocidade. O tempo corre e percebemos que  "O tempo cura tudo." não passam de umas meras palavras ditas por um imbecil sem noção de perda. Os nervos passam mas as memórias ficam numa passagem que se torna curta. E ninguém sabe se há de ir ou de ficar com esperança de um "Tudo está bem.". O tempo ensina-nos a crescer. Mostra-nos que o lema da nike é tão verdadeiro como uma noite de sono bem passada e que há silêncios que valem mais que conversas de meia noite entre muitos.
E assim entendemos que há coisas insignificantes. Que meras coincidências não são meras coincidências. Que ninguém passa por nós só por passar. Que há momentos que só se vivem uma vez porque o destino assim quis. Que um amanhã pode não estar assim tão perto. E que "valorizar" vale mais que todas as outras palavras no dicionário. 
O Mundo enche-nos de exemplos e rouba-nos a justiça de um "E se?!". Ensina-nos que os mais pequenos defeitos não passam das melhores virtudes e que os piores sermões evidenciam o interior das pessoas. Não há remorsos. As palavras são feitas para serem ditas no momento em que devem ser ditas. E os planos não são para ser feitos para a vida mas sim para o momento. Nada é certo. E hoje as estrelas brilham mais. 
 Aproveitem sem "E se?"

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Metáfora dos "O's".

Há uns meses atrás passei a fazer os "O's" ao contrário. Em sentido horário como os ponteiros do relógio insistem em fazer. Não sei porquê, mas isso dá-me uma sensação de liberdade sem ser perfeita mas a ser única. Nada de especial, eu sei, mas eu juro que todos os "O's" que escrevo durante o dia adoram ser escritos ao contrário. Simplesmente adoram ao contrário dos outros adorar porque veem o sentido da vida do avesso. Tem que ser ponderado. Mas nada que uma mudança de caneta não aguente. Escrever um "O" em sentido horário sem nos sentirmos presos ao tempo de escrita de um "O" normal capta-nos. Na realidade os "O's" normais acabam por se esgotar na prateleira dos "mais usados" e isso torna-se um risco demasiado alto para eu correr. Logo eu, que detesto a palavra "stock". Por isso optei pelos "O's" de meia tigela, os renegados por todos mas que acabam por ser os heróis. Eles gostam. E esperam ansiosos para serem usados. 
O problema é que andam por aí muitos que não são do avesso. Metáfora. (Com o "O" do avesso.E então eu tentei. Escrevi um "M" da direita para esquerda, com medo de ficar com problemas de stock.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Para depois te deixares amar o Mundo.

Tu não amas aquela pessoa porque ponto. Tu primeiro amas-te a ti. Porque seres tu é seres tu. É transferires quem és sem que saibam quem foste. Tu primeiro amas-te a ti para depois amares os outros. Porque amar é diferente de paixão. Amar é combater e abraçar. É fazer pelos outros mais do que farias por ti. É levares um pequeno almoço à cama e dizeres que sim a uma chávena de chá à lareira. Amar nasce contigo. Tu amas o por do sol porque sim. Tu sentes o vento na cara porque amas a velocidade de fechares os olhos sem apagar o som. Amar é saber estar. É ter respeito. É ripostar um "Bom dia!" depois de um "Obrigada!". Amar pertence-te como o direito de errar. Quem erra pela segunda vez percebe. Amar mostra o teu verdadeiro eu sem expôr todos os teus segredos. Deixa-te levar. Amar é trair o tempo e não o momento. Tu primeiro amas-te a ti para depois te deixares amar o Mundo. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Sem final feliz programado.

Eu não andava à procura de nada quando encontrei o que nunca esperei encontrar. Na verdade, eu nem estava preocupada com procurar algo ou alguém. Mas aconteceu. Simplesmente acho que há coisas destinadas. Prontas a acontecer. Encontrei-te a ti e a mim no meio desta confusão toda da pessoa que sou. Foi simples. E acho sinceramente que é assim que as coisas começam. Quando não estás à procura de nada e de repente percebes que tens alguma coisa. Do nada para o tudo. Assim num abrir e fechar de olhos sem preocupações de terçolhos maldispostos. Normalmente corre mal por me preocupar demasiado com tudo e todos. Sempre a mim. E eu não quero ser tudo para todos. Eu quero ser apenas quem tu queres encontrar. Fruto de um mergulho profundo em pessoas rasas. E agora sei que quem se importa pode estar longe. Pode ter falado contigo uma vez ou simplesmente nem ter falado. Quem se importa demonstra-o sem grandes preocupações. Pode participar num olhar profundo a dois e nunca mais te ver. Às vezes quem te percebe não pode ficar. Se tiver que chegar, chega. Não vale a pena procurar. Alguém põe as pessoas no sitio errado à hora certa por algum motivo. E há de chegar aquele momento que queres guardar esse motivo numa caixinha e ficar com ela para sempre. Porque a probabilidade era nula e mesmo assim aconteceu. Sem final feliz programado.
"Tu saltas, eu salto, certo?" 

domingo, 1 de janeiro de 2017

Um brinde a ti.

Um brinde a nós. A todos os desejos que viajam neste momento nas 12 passas da meia noite. A todas as rolhas de champanhe que tomaram o céu sem limite. A todas as correrias para chegar a tempo do fogo de artificio. A todos os abraços, beijos e apertos de mão. Um brinde a quem completou 2016. A quem viu o Mundo em colapso com acontecimentos de chorar e quem riu com momentos de recordar. Um brinde aos portugueses. Ao cair e levantar de 11 milhões. Ao grande presidente que ganhámos e aos que iremos recordar. Uma passa por saúde, amor e família. Um abraço pelo melhor de 2017. Agora, queremos mais. Queremos um ano de momentos, de amizades e de objetivos cumpridos. Queremos mais porque merecemos mais. Queremos que a diferença de um 6 para um 7 seja mais que uma conta de somar. Queremos mais saídas, mais "Vamos" ditos com convicção, mais "Eu consigo" com certezas. Queremos muito do possível e histórias de impossível. Queremos viagens a muitos e dormidas a poucos. Queremos beijos a dois e músicas para a vida. Queremos que 2017 não seja o ano mas sim o momento. Queremos noites de cinema a vários e quilómetros feitos com muitos. Queremos um 2017 com vida. Um brinde a quem merece. Um brinde ao melhor de nós. Um 2017 ímpar de faz mais e pensa menos.
UM BRINDE A TI. Um brinde ao futuro.

Há pessoas que nos põem nervosas.

Há pessoas que nos põem nervosas. Que nos deixam impacientes por segundos de companhia. Que nos abraçam de palpitações no coração. Há pessoas que nos deixam com dores de barriga estranhas. Que nos fazem sentir especiais mesmo sem se aperceberem. Que unem palavras como nunca ninguém as uniu. Há pessoas felizes com a vida que nos deixam felizes com o tempo. Pessoas que surfam ondas de positivismo mesmo depois de grandes quedas abismais. Lá nessa terra há pessoas que sabem aquecer outras em dias de frio. Que respeitam os momentos de silêncio dos filmes e aparvalham quando é para aparvalhar. Que se fingem de surdas quando a conversa nada interessa e ligam o som do coração quando o termómetro apita. Lá no fundo há pessoas que nos fazem nervosas mesmo sem saber porquê. E, descartando o Pai Natal, só "A" pessoa faz isso. Mesmo que o plano B já tenha sido traçado ou os duendes estejam de férias. Aprende a fazer falta. Principalmente para quem sabe onde te encontrar.

domingo, 4 de dezembro de 2016

A verdadeira razão das cartas ao Pai Natal.

Vou com 2 meses e meio de faculdade. Dois meses e meio que levei a perceber se o curso em que entrei foi o certo ou se para o ano vou virar as cabeças de quem me conhece de pernas para o ar a tentar perceber que raio é que eu estou a fazer… Lancei-me na aventura dos mais crescidos em setembro. Larguei a minha cama de estimação na cidade que, achava eu, estava a precisar de descanso de mim e ganhei dois companheiros de casa alfacinhas. Demorei pouco a perceber que, aqui em Lisboa, gostam muito de atrasos nos transportes públicos e que o metro não passa de um jogo de “Se calhar tem que emagrecer para caber naquele espacinho minúsculo por baixo do sovaco daquele senhor.”. Habituei-me aos anos de espera de tudo e mais alguma coisa e reconheci que o melhor mesmo é ir a pé quando possível. Rapidamente criei a minha própria definição de vida de universitário: SONO, FOME e FALTA DE TEMPO. Não há um segundo que nos salve daquela cadeira que todos estamos destinados a chumbar no primeiro semestre e que vamos desejar ter como prenda de Natal um 9.5. Entretanto, lá para meio do primeiro mês começas a adaptar-te às chamadas exaustivas da tua família e a perceber que sentes saudades de casa. Começas a adorar fins de semana como nunca adoras-te e a odiar ter quase a roupa toda na tua casa emprestada. Mas por muito que tenhas milhares de problemas, que não saibas cozinhar ou que deixes de falar a alguns amigos a vida continua pah!! Ou não tinhas percebido que o 12º é um bónus único na tua vida de estudante e que daí para a frente vai ser sempre a bombar (no estudo e nas festas). Deixa lá essa cara de carneirinho mal morto e faz o curso que tu queres. Deixa a opinião dos outros navegar pelos teus ouvidos. Ao fim dos dois primeiros meses sabes se tens sorte na faculdade ou se a tua vocação sempre andou no jogo ou no amor.

Alguma coisa liga. Se não atender provavelmente estou ocupada a escrever uma carta ao Pai Natal a dar razões para ver se tenho o tal 9.5.

Saudações do 86533 do curso de Arquitetura do Instituto Superior Técnico.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Simplesmente sabes.

Sabes quem te quer. Quem te segura se caíres . Quem te ouve sem nunca te mandar calar. Quem tem a certeza que gostas mais daquilo do que de tudo o resto. Quem muda por ti. Quem alcança o que sempre achaste inalcançável para te mostrar que nem tudo o que pensas que é impossível  é impossivel. Sabes quem gosta de ti sem deixar de gostar do mundo. Quem pára o relógio  para que o tempo não passe contigo. Sabes que alguém, um dia, te venerou. Quis ser como tu por seres quem és.  Alguém, um dia, sonhou ter um mundo igual ao teu. Trocar de papéis para sentir isso de "ser amado". Sabes que és mais que tudo o resto. Que espalhas ideias  diferentes sem retirar razão aos outros. Que unes cabeças sem destruir ligações sentimentais. Sabes que és dono de ti. Que te mexes para o mundo sem que mudes o destino. Que sorris sem nunca deitar abaixo os que veem o mundo cinzento.  Que sabes dar valor às pequenas coisas da vida. Que lutas contra o relógio para conseguires pôr todas essas ideias no papel. Sabes que és menos importante que o sol. Que deixas os outros confiarem em ti. Sabes que na verdade moves gente. Tu simplesmente sabes.

domingo, 30 de outubro de 2016

Aqueles pequenos pormenores.

Às vezes sorriem-me. Deitam-me a língua de fora como um cumprimento de conhecidos. Estendem a mão ou beijam as bochechas de todos e mais alguns. Correm feitos loucos  para um abraço aconchegado que dura segundos de alegria. Pequenos pormenores são aqueles que não se veem de fora. É um beijo de boa noite de um pai ou de uma mãe e um doce dado pelos avós. Um pequeno pormenor é uma palavra simples dita no momento certo. Um "Estás bem?" que só alguns sabem como perguntar. Um pequeno pormenor é mesmo pequeno. É deixarem a estrela da árvore de natal para tu colocares. É tirarem o dia de folga para estarem contigo no teu dia de anos. É defenderem-te numa conversa acesa mesmo sabendo que não  tens razão. Um pequeno pormenor  é mandarem-te um miminho pelo correio. É ligarem-te sem razão ou aparecerem à tua porta com um gelado do Mc. Pequenos pormenores são restritos para quem os pode ter. Eles extinguem-se sem dares por isso.  Aproveita. Pequenos pormenores são raros.

domingo, 16 de outubro de 2016

Nós nunca nos soubemos ter.

A verdade é que todos os momentos que passámos juntos não chegaram a ser uma vida. Largámo-nos antes disso, sem que escrevessemos uma história de idas e vindas. Cheguei a achar que era só eu que não conseguia deixar de pensar nessa tua maneira de ser diferente mas percebi que tu não podias correr atrás de quem não querias. Voámos horizontes sem nunca deixármos de ser nós e invadimos sonhos um do outro sem que as ondas do mar produzissem olhares. Lembro-me que sorriamos um para o outro e tolerávamos dias menos bons com estupidezes de momento. Contávamos segredos incontáveis enquanto guardávamos a "chave" do baú debaixo das almofadas de sonhos futuros que, agora sabemos, nunca iriam acontecer. Às vezes pensava no que estarias a fazer em dias de trovoada. Sempre achei que esses dias mereciam um tratamento especial de lareira e filme no sofá. Apetecia ligar-te e dizer-te que as estrelas caem do céu quando o Mundo pensa demais. Mas não... Ficava na minha e esperava que um vizinho me abrisse a porta desse horizonte indecifrável. A saudade aperta de vez em quando, e eu fico sem chão quando penso que tudo mudou tanto em menos de uma estrela cadente. Pergunto-me se ocupámos o tempo a ser quem eramos ou se o gastámos a parecer que eramos um. Tenho dúvidas sobre tudo. Mas sei que um dia esse adeus vai surgir... nem que seja depois de um "Desculpa, atrasei-me sem razão.". Porque nós não nos soubemos ter, nem nunca saberemos.

sábado, 15 de outubro de 2016

1... 2... 3... AÇÃO!

Sabes porque é que às vezes tens menos atenção? Porque o mundo não gira à tua volta sem antes tomar as devidas precauções. Porque tu não és sempre o sapo da princesa misteriosa mesmo achando que és insubstituível. Às vezes o mundo mede bem as estrelas que põe no céu e as que deixa escapar com o vento das tuas ideias manhosas.  Há momentos que tens menos atenção porque simplesmente não podes ter mais... Às vezes o céu está mais bonito que tu e as atenções são desviadas para aquelas paisagens dignas de quadros em museus. Mas tudo bem. A atenção não se mede aos palmos. O vento rouba os ouvidos das pessoas por uns segundos e os planetas são roubados pelo sol desde sempre. Só não tens mais atenção porque às vezes irritas quem te rodeia. Fazes de ti um rádio sempre a disparar músicas e as pessoas fartam-se. É assim... Às vezes tens menos atenção porque o realizador da tua história assim o decidiu. Por isso prepara-te... 1... 2... 3... AÇÃO!

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Do avesso.

Sempre quis imaginar a Monalisa de bigode. Pôr orelhas de gato num elefante e fazer as toupeiras voar. Às vezes ponho-me a imaginar as pessoas com patas de galinha e a pôr ovos de semana a semana mas depois lembro-me que os patos não sabem falar. Sonho com laranjas azuis e deixo que o mar vire cor de rosa às bolinhas amarelas. Sinto que os candeeiros deviam dar dinheiro em vez de luz e as latas de refrigerantes conter chocolates de menta que viciam. Gosto demasiado de flores mas adorava que cheirassem a morangos acabados de apanhar. Queria que os botões do rádio mudassem os sentimentos das pessoas e as ondas de calor se transformassem em tempo de descanso infinito. Às vezes imagino que o choro dos bebés se transforma numa plena harmonia de sons num concerto de jazz e que as noites mal dormidas não passam de favores pagos em insónias. Vejo-me a apanhar ondas numa escova de dentes e a imaginar o Johnny Depp sem aquela pinta de engatatão. No entanto gosto mais de vestir camisolas do avesso... Errar é humano.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Tempo.

Algumas pessoas preenchem espaços e outras simplesmente tornam os momentos menos solitários. Deixam que as profundezas dos olhares sobressaiam sem grandes esforços. Desimpedem as células sentimentais de obstruções vasculares e fazem do céu algodão mais doce que o normal. Às vezes as pessoas menos esperadas tornam-se cabeças importantes. Transformam dias de nevoeiro em ventos de mudanças repentinamente boas. Penteiam os cabelos desorientados. E apercebem-se que a ironia do destino passado obriga a apreciar o silêncio para se conhecer o barulho de multidões de sentimentos descontrolados. A verdade é que preencher espaços impreenchíveis é perigoso. Arranca palavras noturnas ao sono profundo e atira pedras de lágrimas sem necessidade de água doce. Na realidade abstrata o importante é fazer alguma coisa em vez de matar o tempo. Arrancar todos os minutos das horas e todas as horas dos dias. Porque no meio disto tudo, o tempo é que nos tem morto. Aos dois. Sem dó nem piedade. Com uma única visão do mundo. O tempo.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Energia Útil.

Acredito na mudança infinita do rumo de vidas despedaçadas. Na alteração imprescindível do sentido das mentes. Aceito uma súbita suspeita de união de gentes. E compreendo a desarrumação de cérebros confundidos por palavras. Organizo o meu espaço sem grandes modelos históricos de páginas de livros de etiqueta. Ocupo a cabeça de mexericos. E deixo que o vento alimente os sonhos de criança. Penso no mundo sem grandes feitiços. Acredito em magias necessárias à sobrevivência. E venero a capacidade de armazenamento poluente de certos cérebros. Pego nas ondas das correntes de dificuldades e transformo-as em energia útil. Agarro nas verdades e deixo que escorram na cara de míseros imbecis.  Alimento a fome de metas inalcançáveis. E deixo que o céu torne possível voos de galinhas. Viabilizo possibilidades impossíveis. Organizo labirintos de ideias de milhões. E fico-me por aí... pelas ideias, porque os milhões só vêm com esforço. Encarrego-me de perceber o que vai na cabeça dos outros. Redijo testamentos que nunca partilharei. Movo lembranças de dias memoráveis. E solto os cabelos ao vento como quem solta uma lágrima num momento inoportuno... em harmonia com o Mundo.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Tudo bem? Sim, e contigo? Também!


Se definires "Tudo bem" como vida monótona, sem acontecimentos que mudem o rumo das coisas, nomeadamente  ganhar o Euromilhões, choverem gomas ou tornar-me  no Bill Gates versão II, então sim, está "Tudo bem". Se optares por definir "Tudo bem" por "Tudo bem", tipo mesmo "BEM", então está  "Tudo mal" contigo. Só está bem quem não pensa. Quem sabe que um "Preciso de falar contigo" deixa borboletas no estômago. Quem não cede a pedidos de desculpa inaceitáveis. Quem jura deixar que outros refilem e adora ver discussões  desnecessárias. Só está bem quem move meias durante o sono. Quem, por magia, sonha alto. Quem não deixa que a chuva estrague o dia. Quem sobe montanhas sem "pingar" uma palavra de cansaço. Pausa. Quem "está mal" culpa os outros. Queixa-se do positivo e do negativo sem saber o que realmente é bom ou mau. Deixa que o desejo se torne sonho monótono. E chora nas costas dos outros. Um "Tudo bem" que é um "Tudo mal" pede um "Conta tudo e deixa-te de tretas". É inevitável. E se não queres contar o que te tira do sério, só tens uma opção: responder "Tudo bem" com cara de quem acabou de ganhar asas.
"Tudo bem?"
"Sim, e contigo?"
"Tamb
ém."

domingo, 5 de junho de 2016

Tu és incrível.

Tu és incrível. Diferente do normal. Isso é ótimo. Melhor que tudo o resto na vida. Destacas-te por seres tu. Por seres essa pessoa incrivelmente anormal. Isso é bom. Não te deixes ser rebaixado por estronços estúpidos que não têm nada de perfeito. Deixa o imperfeito correr nas tuas veias. Atira-lhes isso à cara. Não há coisa melhor que espetar verdades à cara de pessoas que não olham com olhos de ver. Corre na tua essência de ser. Sem mudança de opiniões adotadas por influência de quem te quer mudar. Cria o teu planeta. Habita-o de ti. Alimenta-o de positivismo e deixa que ele te alimente de recompensas. O que é bom acaba por vir sem que se tenha que acreditar na sorte. Tu giras à volta do Mundo e completa-lo de magia. Brilhas de bem e ultrapassas obstáculos como um super herói. O poder de ajudar os outros estanca-te as feridas. És único. Obrigada. 

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Faz-te à vida.

Sabem... Estou feliz sem razão. Bem com a vida sem porquê. E estou-me pouco lixando para as vossas opiniõe'zinhas de tigela vazia. Gosto. Sinto uma concretização plena sem sequer ter levantado o rabo do sofá. Isso deixa-me completamente diferente. Salpicada de boas recordações temporais. Sinto que tudo o que faço deixa o meu corpo fluir com espaço infinito. Mergulhos numa piscina de bolas de plástico. Gosto do sabor da manhã mesmo que as torradas estejam mais queimadas que o habitual. Rotinas desacertadamente diferentes. Sinto-me criança. Os dramas das crianças são os melhores... "Gelado de baunilha ou de chocolate?". Na verdade sinto-me uma espécie de Peter Pan crescido sem medos nem receios. Simplesmente as coisas nem sempre resultam como os nosso sonhos planeiam. Mas às vezes sabe bem. Modera o sentido da vida. Altera o destino do bilhete. Talvez no futuro resulte . Talvez no passado resultasse. Mas há coisas que não foram combinadas para dar certo no momento ideal. E o tempo não espera... faz-te à vida.

domingo, 1 de maio de 2016

Feliz dia, todos os dias... Mãe.

Ela sabe que não é perfeita. Que muitas vezes excede o limite de decibéis a que deveria ter chegado. Que se torna chata quando repete "Leva o casaco, está frio na rua!". Que te chateia quando não te deixa sair a um dia da semana. Que provoca discussões de meia-tigela entre vocês. Que não compreende tudo o que realmente queres que compreenda. Mas no fundo,  ela faria tudo de novo. Porque sabe que o "perfeito" não existe. Sabe que nunca terá alguém para te substituir. Porque sabe que te ajudou a superar os obstáculos que tiveste na vida. Porque te aturou em "dias não". Porque te consulou enquanto tu choravas. Porque te carregou por mais de 9 meses e nunca se queixou. Porque se esforçou para que nunca te faltasse nada. Porque sempre que percebia que estavas mal te animava. Porque te vigiava enquanto dormias para ter a certeza que adormecias sem frio. Porque na verdade fazes parte dela. És como um dos 8 tentáculos que o polvo tem. E por muito que haja 8, ela só quer o teu. Porque ela sabe que não é perfeita. Mas estará sempre em primeiro lugar.

domingo, 24 de abril de 2016

Prazer, Eu.

Tenho 17 anos e nunca tirei da cabeça a ideia de que o Mundo gira à minha volta. Acho que a maioria é assim: egocêntrica dos pés à cabeça mesmo que não o note ou não o queira notar. Não tenho remorsos. Um dia sei que aquele sonho de ser rica pode vir a ser 1% possível e isso deixa-me com um sorriso nos dentes que preservo com o montão de pastilhas elásticas que como durante o dia. Gosto de ser eu. Sem grandes "stresses dramáticos" de choro e noites de insónia. Só demonstro lamechices interiormente: o diabo exterior não precisa de saber se fiz feridas internas, abertas pelas palavras dos ignorantes. Gosto do quente dos pés dos outros no inverno e das mudanças repentinas de temperatura. Gosto de adivinhar o dia de amanhã mesmo sabendo que pode ser estragado por um anormal qualquer que não gosta de estar bem com a vida. Sou normal dentro da anormalidade do Mundo. Tenho mil pensamentos dispensáveis. Sou fiel a quem me é confiável. Gosto do barulho das ondas do mar e do cheiro da relva em dias de chuva. Gosto de banhos de espuma de horas e de música aos altos berros durante o duche matinal. Venero camisolas as riscas e sou uma confidente de "pinky promisses". Simplesmente respiro. Não mais que tu. Não menos que tu. Mas estou constipada.