Eu não andava à procura de nada quando encontrei o que nunca
esperei encontrar. Na verdade, eu nem estava preocupada com procurar algo ou
alguém. Mas aconteceu. Simplesmente acho que há coisas destinadas. Prontas a
acontecer. Encontrei-te a ti e a mim no meio desta confusão toda da pessoa que
sou. Foi simples. E acho sinceramente que é assim que as coisas começam. Quando
não estás à procura de nada e de repente percebes que tens alguma coisa. Do
nada para o tudo. Assim num abrir e fechar de olhos sem preocupações
de terçolhos maldispostos. Normalmente corre mal por me
preocupar demasiado com tudo e todos. Sempre a mim. E eu não quero ser tudo
para todos. Eu quero ser apenas quem tu queres encontrar. Fruto de um
mergulho profundo em pessoas rasas. E agora sei que quem se importa pode
estar longe. Pode ter falado contigo uma vez ou simplesmente nem ter falado.
Quem se importa demonstra-o sem grandes preocupações. Pode participar num
olhar profundo a dois e nunca mais te ver. Às vezes quem te percebe não pode ficar.
Se tiver que chegar, chega. Não vale a pena procurar. Alguém põe as
pessoas no sitio errado à hora certa por algum motivo. E há de chegar aquele
momento que queres guardar esse motivo numa caixinha e ficar com ela para
sempre. Porque a probabilidade era nula e mesmo assim aconteceu. Sem final
feliz programado.
"Tu saltas, eu salto, certo?"
Um brinde a nós. A todos os desejos que viajam neste momento nas 12 passas da meia noite. A todas as rolhas de champanhe que tomaram o céu sem limite. A todas as correrias para chegar a tempo do fogo de artificio. A todos os abraços, beijos e apertos de mão. Um brinde a quem completou 2016. A quem viu o Mundo em colapso com acontecimentos de chorar e quem riu com momentos de recordar. Um brinde aos portugueses. Ao cair e levantar de 11 milhões. Ao grande presidente que ganhámos e aos que iremos recordar. Uma passa por saúde, amor e família. Um abraço pelo melhor de 2017. Agora, queremos mais. Queremos um ano de momentos, de amizades e de objetivos cumpridos. Queremos mais porque merecemos mais. Queremos que a diferença de um 6 para um 7 seja mais que uma conta de somar. Queremos mais saídas, mais "Vamos" ditos com convicção, mais "Eu consigo" com certezas. Queremos muito do possível e histórias de impossível. Queremos viagens a muitos e dormidas a poucos. Queremos beijos a dois e músicas para a vida. Queremos que 2017 não seja o ano mas sim o momento. Queremos noites de cinema a vários e quilómetros feitos com muitos. Queremos um 2017 com vida. Um brinde a quem merece. Um brinde ao melhor de nós. Um 2017 ímpar de faz mais e pensa menos.
UM BRINDE A TI. Um brinde ao futuro.
Há pessoas que nos põem nervosas. Que nos deixam impacientes por segundos de companhia. Que nos abraçam de palpitações no coração. Há pessoas que nos deixam com dores de barriga estranhas. Que nos fazem sentir especiais mesmo sem se aperceberem. Que unem palavras como nunca ninguém as uniu. Há pessoas felizes com a vida que nos deixam felizes com o tempo. Pessoas que surfam ondas de positivismo mesmo depois de grandes quedas abismais. Lá nessa terra há pessoas que sabem aquecer outras em dias de frio. Que respeitam os momentos de silêncio dos filmes e aparvalham quando é para aparvalhar. Que se fingem de surdas quando a conversa nada interessa e ligam o som do coração quando o termómetro apita. Lá no fundo há pessoas que nos fazem nervosas mesmo sem saber porquê. E, descartando o Pai Natal, só "A" pessoa faz isso. Mesmo que o plano B já tenha sido traçado ou os duendes estejam de férias. Aprende a fazer falta. Principalmente para quem sabe onde te encontrar.
Vou com 2 meses e meio de faculdade. Dois meses e meio
que levei a perceber se o curso em que entrei foi o certo ou se para o ano vou
virar as cabeças de quem me conhece de pernas para o ar a tentar perceber que
raio é que eu estou a fazer… Lancei-me na aventura dos mais crescidos em
setembro. Larguei a minha cama de estimação na cidade que, achava eu, estava a
precisar de descanso de mim e ganhei dois companheiros de casa alfacinhas.
Demorei pouco a perceber que, aqui em Lisboa, gostam muito de atrasos nos
transportes públicos e que o metro não passa de um jogo de “Se calhar tem que
emagrecer para caber naquele espacinho minúsculo por baixo do sovaco daquele
senhor.”. Habituei-me aos anos de espera de tudo e mais alguma coisa e
reconheci que o melhor mesmo é ir a pé quando possível. Rapidamente criei a
minha própria definição de vida de universitário: SONO, FOME e FALTA DE TEMPO.
Não há um segundo que nos salve daquela cadeira que todos estamos destinados a
chumbar no primeiro semestre e que vamos desejar ter como prenda de Natal um
9.5. Entretanto, lá para meio do primeiro mês começas a adaptar-te às chamadas
exaustivas da tua família e a perceber que sentes saudades de casa. Começas a
adorar fins de semana como nunca adoras-te e a odiar ter quase a roupa toda na
tua casa emprestada. Mas por muito que tenhas milhares de problemas, que não
saibas cozinhar ou que deixes de falar a alguns amigos a vida continua pah!! Ou
não tinhas percebido que o 12º é um bónus único na tua vida de estudante e que
daí para a frente vai ser sempre a bombar (no estudo e nas festas). Deixa lá
essa cara de carneirinho mal morto e faz o curso que tu queres. Deixa a opinião
dos outros navegar pelos teus ouvidos. Ao fim dos dois primeiros meses sabes se
tens sorte na faculdade ou se a tua vocação sempre andou no jogo ou no amor.
Alguma coisa liga. Se não atender provavelmente estou
ocupada a escrever uma carta ao Pai Natal a dar razões para ver se tenho o tal
9.5.
Saudações do 86533 do curso de Arquitetura do Instituto
Superior Técnico.
Sabes quem te quer. Quem te segura se caíres . Quem te ouve sem nunca te mandar calar. Quem tem a certeza que gostas mais daquilo do que de tudo o resto. Quem muda por ti. Quem alcança o que sempre achaste inalcançável para te mostrar que nem tudo o que pensas que é impossível é impossivel. Sabes quem gosta de ti sem deixar de gostar do mundo. Quem pára o relógio para que o tempo não passe contigo. Sabes que alguém, um dia, te venerou. Quis ser como tu por seres quem és. Alguém, um dia, sonhou ter um mundo igual ao teu. Trocar de papéis para sentir isso de "ser amado". Sabes que és mais que tudo o resto. Que espalhas ideias diferentes sem retirar razão aos outros. Que unes cabeças sem destruir ligações sentimentais. Sabes que és dono de ti. Que te mexes para o mundo sem que mudes o destino. Que sorris sem nunca deitar abaixo os que veem o mundo cinzento. Que sabes dar valor às pequenas coisas da vida. Que lutas contra o relógio para conseguires pôr todas essas ideias no papel. Sabes que és menos importante que o sol. Que deixas os outros confiarem em ti. Sabes que na verdade moves gente. Tu simplesmente sabes.
Às vezes sorriem-me. Deitam-me a língua de fora como um cumprimento de conhecidos. Estendem a mão ou beijam as bochechas de todos e mais alguns. Correm feitos loucos para um abraço aconchegado que dura segundos de alegria. Pequenos pormenores são aqueles que não se veem de fora. É um beijo de boa noite de um pai ou de uma mãe e um doce dado pelos avós. Um pequeno pormenor é uma palavra simples dita no momento certo. Um "Estás bem?" que só alguns sabem como perguntar. Um pequeno pormenor é mesmo pequeno. É deixarem a estrela da árvore de natal para tu colocares. É tirarem o dia de folga para estarem contigo no teu dia de anos. É defenderem-te numa conversa acesa mesmo sabendo que não tens razão. Um pequeno pormenor é mandarem-te um miminho pelo correio. É ligarem-te sem razão ou aparecerem à tua porta com um gelado do Mc. Pequenos pormenores são restritos para quem os pode ter. Eles extinguem-se sem dares por isso. Aproveita. Pequenos pormenores são raros.
A verdade é que todos os momentos que passámos juntos não chegaram a ser uma vida. Largámo-nos antes disso, sem que escrevessemos uma história de idas e vindas. Cheguei a achar que era só eu que não conseguia deixar de pensar nessa tua maneira de ser diferente mas percebi que tu não podias correr atrás de quem não querias. Voámos horizontes sem nunca deixármos de ser nós e invadimos sonhos um do outro sem que as ondas do mar produzissem olhares. Lembro-me que sorriamos um para o outro e tolerávamos dias menos bons com estupidezes de momento. Contávamos segredos incontáveis enquanto guardávamos a "chave" do baú debaixo das almofadas de sonhos futuros que, agora sabemos, nunca iriam acontecer. Às vezes pensava no que estarias a fazer em dias de trovoada. Sempre achei que esses dias mereciam um tratamento especial de lareira e filme no sofá. Apetecia ligar-te e dizer-te que as estrelas caem do céu quando o Mundo pensa demais. Mas não... Ficava na minha e esperava que um vizinho me abrisse a porta desse horizonte indecifrável. A saudade aperta de vez em quando, e eu fico sem chão quando penso que tudo mudou tanto em menos de uma estrela cadente. Pergunto-me se ocupámos o tempo a ser quem eramos ou se o gastámos a parecer que eramos um. Tenho dúvidas sobre tudo. Mas sei que um dia esse adeus vai surgir... nem que seja depois de um "Desculpa, atrasei-me sem razão.". Porque nós não nos soubemos ter, nem nunca saberemos.