domingo, 4 de dezembro de 2016

A verdadeira razão das cartas ao Pai Natal.

Vou com 2 meses e meio de faculdade. Dois meses e meio que levei a perceber se o curso em que entrei foi o certo ou se para o ano vou virar as cabeças de quem me conhece de pernas para o ar a tentar perceber que raio é que eu estou a fazer… Lancei-me na aventura dos mais crescidos em setembro. Larguei a minha cama de estimação na cidade que, achava eu, estava a precisar de descanso de mim e ganhei dois companheiros de casa alfacinhas. Demorei pouco a perceber que, aqui em Lisboa, gostam muito de atrasos nos transportes públicos e que o metro não passa de um jogo de “Se calhar tem que emagrecer para caber naquele espacinho minúsculo por baixo do sovaco daquele senhor.”. Habituei-me aos anos de espera de tudo e mais alguma coisa e reconheci que o melhor mesmo é ir a pé quando possível. Rapidamente criei a minha própria definição de vida de universitário: SONO, FOME e FALTA DE TEMPO. Não há um segundo que nos salve daquela cadeira que todos estamos destinados a chumbar no primeiro semestre e que vamos desejar ter como prenda de Natal um 9.5. Entretanto, lá para meio do primeiro mês começas a adaptar-te às chamadas exaustivas da tua família e a perceber que sentes saudades de casa. Começas a adorar fins de semana como nunca adoras-te e a odiar ter quase a roupa toda na tua casa emprestada. Mas por muito que tenhas milhares de problemas, que não saibas cozinhar ou que deixes de falar a alguns amigos a vida continua pah!! Ou não tinhas percebido que o 12º é um bónus único na tua vida de estudante e que daí para a frente vai ser sempre a bombar (no estudo e nas festas). Deixa lá essa cara de carneirinho mal morto e faz o curso que tu queres. Deixa a opinião dos outros navegar pelos teus ouvidos. Ao fim dos dois primeiros meses sabes se tens sorte na faculdade ou se a tua vocação sempre andou no jogo ou no amor.

Alguma coisa liga. Se não atender provavelmente estou ocupada a escrever uma carta ao Pai Natal a dar razões para ver se tenho o tal 9.5.

Saudações do 86533 do curso de Arquitetura do Instituto Superior Técnico.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Simplesmente sabes.

Sabes quem te quer. Quem te segura se caíres . Quem te ouve sem nunca te mandar calar. Quem tem a certeza que gostas mais daquilo do que de tudo o resto. Quem muda por ti. Quem alcança o que sempre achaste inalcançável para te mostrar que nem tudo o que pensas que é impossível  é impossivel. Sabes quem gosta de ti sem deixar de gostar do mundo. Quem pára o relógio  para que o tempo não passe contigo. Sabes que alguém, um dia, te venerou. Quis ser como tu por seres quem és.  Alguém, um dia, sonhou ter um mundo igual ao teu. Trocar de papéis para sentir isso de "ser amado". Sabes que és mais que tudo o resto. Que espalhas ideias  diferentes sem retirar razão aos outros. Que unes cabeças sem destruir ligações sentimentais. Sabes que és dono de ti. Que te mexes para o mundo sem que mudes o destino. Que sorris sem nunca deitar abaixo os que veem o mundo cinzento.  Que sabes dar valor às pequenas coisas da vida. Que lutas contra o relógio para conseguires pôr todas essas ideias no papel. Sabes que és menos importante que o sol. Que deixas os outros confiarem em ti. Sabes que na verdade moves gente. Tu simplesmente sabes.

domingo, 30 de outubro de 2016

Aqueles pequenos pormenores.

Às vezes sorriem-me. Deitam-me a língua de fora como um cumprimento de conhecidos. Estendem a mão ou beijam as bochechas de todos e mais alguns. Correm feitos loucos  para um abraço aconchegado que dura segundos de alegria. Pequenos pormenores são aqueles que não se veem de fora. É um beijo de boa noite de um pai ou de uma mãe e um doce dado pelos avós. Um pequeno pormenor é uma palavra simples dita no momento certo. Um "Estás bem?" que só alguns sabem como perguntar. Um pequeno pormenor é mesmo pequeno. É deixarem a estrela da árvore de natal para tu colocares. É tirarem o dia de folga para estarem contigo no teu dia de anos. É defenderem-te numa conversa acesa mesmo sabendo que não  tens razão. Um pequeno pormenor  é mandarem-te um miminho pelo correio. É ligarem-te sem razão ou aparecerem à tua porta com um gelado do Mc. Pequenos pormenores são restritos para quem os pode ter. Eles extinguem-se sem dares por isso.  Aproveita. Pequenos pormenores são raros.

domingo, 16 de outubro de 2016

Nós nunca nos soubemos ter.

A verdade é que todos os momentos que passámos juntos não chegaram a ser uma vida. Largámo-nos antes disso, sem que escrevessemos uma história de idas e vindas. Cheguei a achar que era só eu que não conseguia deixar de pensar nessa tua maneira de ser diferente mas percebi que tu não podias correr atrás de quem não querias. Voámos horizontes sem nunca deixármos de ser nós e invadimos sonhos um do outro sem que as ondas do mar produzissem olhares. Lembro-me que sorriamos um para o outro e tolerávamos dias menos bons com estupidezes de momento. Contávamos segredos incontáveis enquanto guardávamos a "chave" do baú debaixo das almofadas de sonhos futuros que, agora sabemos, nunca iriam acontecer. Às vezes pensava no que estarias a fazer em dias de trovoada. Sempre achei que esses dias mereciam um tratamento especial de lareira e filme no sofá. Apetecia ligar-te e dizer-te que as estrelas caem do céu quando o Mundo pensa demais. Mas não... Ficava na minha e esperava que um vizinho me abrisse a porta desse horizonte indecifrável. A saudade aperta de vez em quando, e eu fico sem chão quando penso que tudo mudou tanto em menos de uma estrela cadente. Pergunto-me se ocupámos o tempo a ser quem eramos ou se o gastámos a parecer que eramos um. Tenho dúvidas sobre tudo. Mas sei que um dia esse adeus vai surgir... nem que seja depois de um "Desculpa, atrasei-me sem razão.". Porque nós não nos soubemos ter, nem nunca saberemos.

sábado, 15 de outubro de 2016

1... 2... 3... AÇÃO!

Sabes porque é que às vezes tens menos atenção? Porque o mundo não gira à tua volta sem antes tomar as devidas precauções. Porque tu não és sempre o sapo da princesa misteriosa mesmo achando que és insubstituível. Às vezes o mundo mede bem as estrelas que põe no céu e as que deixa escapar com o vento das tuas ideias manhosas.  Há momentos que tens menos atenção porque simplesmente não podes ter mais... Às vezes o céu está mais bonito que tu e as atenções são desviadas para aquelas paisagens dignas de quadros em museus. Mas tudo bem. A atenção não se mede aos palmos. O vento rouba os ouvidos das pessoas por uns segundos e os planetas são roubados pelo sol desde sempre. Só não tens mais atenção porque às vezes irritas quem te rodeia. Fazes de ti um rádio sempre a disparar músicas e as pessoas fartam-se. É assim... Às vezes tens menos atenção porque o realizador da tua história assim o decidiu. Por isso prepara-te... 1... 2... 3... AÇÃO!

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Do avesso.

Sempre quis imaginar a Monalisa de bigode. Pôr orelhas de gato num elefante e fazer as toupeiras voar. Às vezes ponho-me a imaginar as pessoas com patas de galinha e a pôr ovos de semana a semana mas depois lembro-me que os patos não sabem falar. Sonho com laranjas azuis e deixo que o mar vire cor de rosa às bolinhas amarelas. Sinto que os candeeiros deviam dar dinheiro em vez de luz e as latas de refrigerantes conter chocolates de menta que viciam. Gosto demasiado de flores mas adorava que cheirassem a morangos acabados de apanhar. Queria que os botões do rádio mudassem os sentimentos das pessoas e as ondas de calor se transformassem em tempo de descanso infinito. Às vezes imagino que o choro dos bebés se transforma numa plena harmonia de sons num concerto de jazz e que as noites mal dormidas não passam de favores pagos em insónias. Vejo-me a apanhar ondas numa escova de dentes e a imaginar o Johnny Depp sem aquela pinta de engatatão. No entanto gosto mais de vestir camisolas do avesso... Errar é humano.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Tempo.

Algumas pessoas preenchem espaços e outras simplesmente tornam os momentos menos solitários. Deixam que as profundezas dos olhares sobressaiam sem grandes esforços. Desimpedem as células sentimentais de obstruções vasculares e fazem do céu algodão mais doce que o normal. Às vezes as pessoas menos esperadas tornam-se cabeças importantes. Transformam dias de nevoeiro em ventos de mudanças repentinamente boas. Penteiam os cabelos desorientados. E apercebem-se que a ironia do destino passado obriga a apreciar o silêncio para se conhecer o barulho de multidões de sentimentos descontrolados. A verdade é que preencher espaços impreenchíveis é perigoso. Arranca palavras noturnas ao sono profundo e atira pedras de lágrimas sem necessidade de água doce. Na realidade abstrata o importante é fazer alguma coisa em vez de matar o tempo. Arrancar todos os minutos das horas e todas as horas dos dias. Porque no meio disto tudo, o tempo é que nos tem morto. Aos dois. Sem dó nem piedade. Com uma única visão do mundo. O tempo.