quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Há sapos e sapos.

Dou asas à imaginação quando estou triste. Ou é ela que me procura. Acho que nunca descobrirei se é doença ou epidemia. Explorador de cérebros. Ou de corações. Porque há aqueles que exploram o inexplorável. Esses podem ser descartados. Mandados fora. Atirados para o lixo. Não importam. Há que soltar vasos sanguíneos. Cortar artérias. Dissecar rãs e sapos para perceber que há príncipes e princesas que não merecem funeral. É assim. Nem todo o reinado foi feito para durar. Há sapos e sapos. Há sapos encantados e sapos por encantar.  E há simplesmente sapos que perdem o encanto na essência de o ganhar. Na verdade, os contos de fadas não são contos de fadas mas sim contos de sapas. E sapos. E depois há sucessões ao trono. Dragões. Mas essas são para quem merece. Sangue azul. Será que podemos engolir sapinhos?

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Vamos só ali mudar o último dígito da data civil e já voltamos.

A malta deve achar que se pedir muito que 2016 seja grande ano ele vai fazer a vontadinha. Malta, daqui a pouco só falta pedirem para cagar brilhantes. E olha que sinceramente já vos vi mais longe de realizarem tal pedido. Só espero que saibam que essas vossas palavras, que chamam de sábias, não são assim tão sábias quanto isso. O rumo da vossa vida não vai mudar de um dia para o outro. Literalmente. Nem esse beijo das 00:00 vai acontecer. E muito menos existirão notas a cair do céu para vos fazer ricos no novo ano. Por isso desistam dessas lamechices nostálgicas. Vamos só ali mudar o último dígito da data civil e já voltamos. E enquanto isso a vossa vida não se altera. O fogo de artifício não são brilhantes mágicos. Não podem abrir os bolsos e as malas e deixarem que os brilhantes caiam lá dentro. Mas se cairem... Parabéns, entraste com o pé direito no novo ano.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Porque tu deves gostar de ti.

Eu amo camas desfeitas. Adoro pessoas bêbadas que choram mares e não conseguem ser mais nada para além de honestas no momento. Venero o olhar de pessoas apaixonadas. Amo a maneira como o mundo acorda e olha em redor. Adoro os lenços de papel que os fanáticos em séries gastam quando a sua personagem favorita morre. Eu amo quando as pessoas fecham os olhos e viajam para as nuvens. Apaixono-me pelos "altos e baixos" e pelos sonhos impossíveis que elas têm. Venero as pausas no estudo que duram mais que o planeado. Amo as saudades de casa quando estou à janela a ver a chuva cair. Adoro os "tic tac's" do relógio em momentos apertados de tempo, enquanto todos os outros entram em pânico. Gosto da confusão das estação de metro. Gosto de gostar do que os outros não gostam. Porque eu não gosto dos outros. Gosto de mim.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Adolescência.

Somos adolescentes 5/6 anos da nossa vida. Andamos na ribalta dos nossos sonhos e achamos que somos o topo do mundo. Bebemos. Fumamos. Choramos. Perdoamos. Temos na mão a nossa vida. A verdade é que a alcunha para adolescência é "Época em que destruíste os teus sonhos". Todos temos bem noção disso. Desperdiçámos horas do nosso sono com as conversas tardias mais inúteis de sempre. Achámos as verdades mais ingratas da vida. Descobrimos que o Mundo não gira por nós. Adolescência é isto. Ensinamentos de vida. Festejamos. Apaixonamo-nos e magoamo-nos. Lutamos pelo inalcançável.  Destruímos os nossos maiores sonhos de criança. Aprendemos que não vamos ser aqueles ricos que sempre achámos que seriamos. Percebemos que as casas na árvore que sempre quisemos construir não passaram de invenções de filmes de criança. Saltamos para o abismo do desconhecido. Tornamo-nos mais adultos na essência de sermos crianças. A adolescência é uma farsa. 

domingo, 6 de dezembro de 2015

As coisas não pedem a nossa opinião.

Odeio conversas pequenas. Quero falar de átomos. Morte. Extra terrestres. Sexo. Magia. Inteligência. Sentido da vida. Galáxias distantes. Música que nos faz sentir diferentes. Memórias. Mentiras que contámos. Correntes marítimas. Ciência. Infância. O que te faz ficar acordado durante a noite. Inseguranças. Medos. Eu gosto de pessoas profundas, que falam com a emoção de uma mente confusa. Quero falar de histórias. Morte. Saudades. Molhas apanhadas em dias de chuva. Insignificâncias insignificantes. Comida. Gente mesquinha. Quero falar de tudo. De mim. De ti. De coisas. As coisas não acontecem como a gente quer. Nem mesmo como a gente não quer. As coisas não pedem a nossa opinião. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Não te preocupes.


É preciso seres tu. Viveres quem és. Sentir quem foste. Acredito que tudo isso te complete e te desfaça ao mesmo tempo. Estarei aqui. Quero que te ergas. Que faças mais daquilo que és. Que sejas quem sempre quiseste ser mas que a coragem não deixou. Quero que sejas tu na tua propria essência. Que te burrifes nos outros e escondas as tuas pieguices. Sê tu. Sem preconceitos. És como ninguém. Abraça-te. Agora por amor da santa não sejas essa cara séria. Que não se vê interiormente. E muito menos exteriormente.Essa pessoa há de se levantar do nevoeiro... Não te preocupes.

domingo, 29 de novembro de 2015

Não me arrependo.

Coisas existenciais de quem nada se arrepende. Nada de nada. Momentos em que sofri. Momentos em que sorri. Não me arrependo. Da mais simples simplificação da vida. Do bom. Do mau. Das palavras ditas de cabeça quente. Dos banhos instantâneos de água fria. Não me arrependo do que fiz. Dos locais mais visitados que não visitei por opção. Ou dos menos visitados que guardei na memória de guardar. Não me arrependo dos desafios superados. Nem das derrotas de horas memoráveis. Dos abraços que escondi do exterior. Dos dias despedaçados em minutos. Ou das visitas repentinas. Há coisas inesperadas que se esperam há anos. E não me arrependo de nada. Nem do mais simples parafuso que desapertei lá atrás. Estabilidade. Não me arrependo de ser quem não queriam que fosse. Mas às vezes é preciso.  E eu estou bem na essência de estar. Na essência de ser tenho muito que percorrer.