segunda-feira, 6 de julho de 2015

As grandes asneiras da vida.

Todos os dias somos afetados por sentidos, por pensamentos e por sentimentos que nem ao Menino Jesus foram explicados. Somos cobaias de tudo. Dos sentidos. Todos os dias. Quando simplesmente abrimos um rebuçado. Aquele barulho do papel. Ouvidos. Dos pensamentos. Quando achamos que simplesmente devíamos desaparecer por uns tempos. Ou até mesmo dos sentimentos. E o amor chega para explicar que somos cobaias de meia-tigela, de meia-noite. Mas pior que tudo isto só mesmo a sensação de te sentires desapontado contigo próprio. E de certeza que se deve a uma das três grandes calamidades: sentidos, pensamentos, sentimentos. São sempre elas. As três "animações" da vida. Para o bem e para o mal. São elas que nos falam na cabeça. São aquelas vozes de decisões. De tentações. De fazer e não fazer. São as grandes asneiras da vida. As grandes. São as três calamidades que nos estragam a noite. Que nos destroem o dia. Sentidos. Pensamentos. Sentimentos. Todas sem coletes à prova de bala. Imunes a chuvas torrenciais de quem volta atrás. E depois lá vem ele. O sentimento de derrota. De desapontamento contigo próprio. É sempre o mesmo. Perder o sentido da vida. Sentir o incompreensível. Pensar em tudo e em nada. E as culpadas estão à vista. As três calamidades do momento. E três por serem perfeitas em destruir. Sentidos. Pensamentos. Sentimentos. As grandes asneiras da vida. Agora pensem.

domingo, 21 de junho de 2015

Até que ela nos separe.

Sempre tive um carinho especial pela morte. Nunca foi aquele bicho de sete cabeças que sempre atormentou o futuro. Futuro. Já pensaram que o futuro mais próximo é a morte?! E o futuro mais infinito é a morte?! Caminhamos para a morte. Dia após dia. E isso deixa-nos felizes. Cumprir objetivos é avançar cautelosamente para a morte. Traçar vidas conjuntas é percorrer segundos que nos distanciam da morte. Mas nós somos burros?! Felicidade é morte e nós andamos aqui todos a mostrar os dentes. Mas eu continuo a gostar da morte. Foi graças a esta menina que tive tudo na vida. Que tive vida. É a ela que devo todas as manhãs de música. Todos os dias de sol. Todos os sonhos à chuva. Todos os mergulhos às nove da noite. Todos os obrigadas. Todas as estrelas que contei. Morte. É, dizem que é uma palavra pesada. Pesada de saudades, de momentos armazenados no coração. Porque é a ela que devemos agradecer. Pôr as lamúrias de parte e agradecer profundamente. Nunca ninguém lhe escapou. É a morte. Aquele sentimento inferior perante nada. Perante tudo. Morte é morte. É uma data. A morte sente-se e não se sente. É um medo constante pelo inevitável. Inevitável. Morremos um pouco todos os dias. Mas a verdade é que ninguém sabe o que é a morte sem antes morrer. Ou morremos e sabemos, ou olha, deixa-se viver. E viva a morte! Até que ela nos separe.

domingo, 14 de junho de 2015

É loucura, minha gente desloucada.

Sempre apreciei o louco. O louco por mim e o louco por ti. Simplesmente vivo na loucura dos mundos. Na loucura das pressas e das não pressas. É loucura. Comprimir todos os sonhos e guardá-los numa caixa. Abrir a tampa mais tarde. É loucura. Sonhos são loucuras escondidas dos outros. E esconder-me é loucura. Vivemos todos na loucura de momentos. Na loucura de acabar o que nos foi pedido. Prazos são loucuras. E loucura é loucura. Quem é o louco que dorme durante a noite e respira durante o dia? Quem é o louco que acredita num Mundo de impostos e dinheiros mal pagos? Loucos são loucos. A loucura move loucos. Move copos de mão para mão. Move carros de país para país. E move pés. Loucura move ventanias de pés descalços. É verdade. Pés. Loucura é um pedido não habitual. Uma desculpa não desculpada e sete elefantes no mesmo quarto. E mesmo assim é possível. Diminuem-se os elefantes ou aumenta-se o quarto. É loucura. Profunda. Daquela de tipos. Tipo "Isso é impossível!" ou "Não vais conseguir!". É loucura, minha gente desloucada. Loucura é pedirem-me que fique em casa num dia de chuva. Chuva é loucura. E os loucos são vocês.

terça-feira, 2 de junho de 2015

A todo o Sr.Examinador que por aí anda.

Examinam de manhã, quando nos pedem para nos levantarmos cedo e como se não bastasse examinam-nos à noite, de forma a que nos deitemos cedo para nos podermos levantar cedo. Ciclos rotinosos. Examinam-nos de alto a baixo. No trabalho. Na escola. Na rua. Somos examinados de alto a baixo p'ra aí umas três vezes. Dos pés à cabeça. Do cabelo à mais feia unha do pé. Examinam-nos na caixa do supermercado. Aparências desenvolvidas na altura que sucede a horas de espera nas tão desejadas filas de supermercado. Burros. Examinam-nos pelo humor com que acordamos. Pelo que dizemos no decorrer de um dia péssimo. Examinam-nos pela cor dos olhos. E que os olhos falem Sr.Examinador! Examinam-nos pelo nosso percurso escolar. Mesmo depois de anos, papéis continuam a ser mais importantes que palavras. PALAVRAS. Examinam-nos pelo nosso emprego de horas. Examinam-nos pelos livros que carregamos nos braços, que por sua vez podem ser fininhos, grossos, peludos, compridos, amarelos, com borbulhas, ásperos e não ásperos, com sinais ou até os mais tortos do Mundo. Examinam-nos por tudo e por nada. Por um copo na mão. Pelo indivíduo que nos acompanha. Pela chave do carro que trazemos no bolso das calças. Somos rotulados e examinados na exaustão de simplesmente examinar. E que resultados devem ser esses!? Aparências iludem. Faça o favor de se examinar Sr.Examinador que por aí anda. Examine-se a você. Três vezes. Número da perfeição.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Este é o meu Mundo. Calem-se todos.

Persistir. Por grandes deceções. Lutar até ser o melhor. Alcançar o objetivo. O derradeiro. Ser finalmente reconhecido. Por ti próprio. Tanto na vitória como na derrota. Lutar por quem deposita toda a confiança em ti. Todo o orgulho. Todos os passos de um ano ou dois. Todos os momentos eufóricos vividos no sentido de mascarar a luta que realizamos todos os dias. Ao acordar e ao deitar. No decorrer de dias que não chegam ao fim. Naquelas duas horas de pleno "Este é o meu Mundo. Calem-se todos!". Lutar sempre trouxe problemas. Mas é nos momentos mais difíceis que os nossos verdadeiros "Eu's" despertam. Numa luta conjunta. Numa vitória de etapas. Num percurso sem borrachas. Sem "Vamos voltar atrás e fazer tudo de novo". Isso não existe. Não há cá segundas oportunidades. O que tiver que ser, será. Agora. No momento. Tempo. Lutar implica decisões. Cabeça. Pensar e repensar. É a cabeça. Formigueiros e arrepios. Será sempre a cabeça. No bom e no mau a cabeça decide. Efetua hiperligações de horas com momentos passados. Destrói esperanças de minutos. E cria novos "Ai e agora. Não consigo.". É esta bola redonda que carregamos que decide. Psicologicamente. Ou fisicamente. Será sempre a grande cabeça.

domingo, 17 de maio de 2015

Eu bem te avisei.

Há arrependimentos e arrependimentos. Os que vêm acompanhados de desculpa e os que não vêm. Os que levam a horas de pensamento e os que são esquecidos no momento. Há arrependimentos conjuntos e arrependimentos solitários, que te fazem sofrer deitado na cama, de porta fechada e luz apagada. Há arrependimentos inconturnáveis e outros memoráveis. Arrependimentos que vêm acompanhados de um "Eu bem te avisei" ou um "Isso passa", mas que nunca chega a passar porque o ser humano é burro o suficiente para simplesmente não ultrapassar. Há arrependimentos noturnos e diurnos. Mas há que eleger a vasta gama de estrelas que já ouviu lamentáveis choros e assistiu a incontornáveis discussões mentais solitárias. Há arrependimentos de voltar atrás e arrependimentos de não voltar. E como tudo na vida, há bons e maus arrependimentos. Daqueles de guardar na grande caixa vermelha, sem portas nem janelas, que carregamos ao peito e daqueles que são atirados pela janela do carro, num dia de chuva a alta velocidade. Também há arrependimentos que matam. De saudades. De " Eu podia ter feito mais". De palavras que não são ditas na altura certa. Há arrependimentos de arrependidos e de não arrependidos. Arrependimentos escritos em linhas e arrependimentos falados de horas. Há arrependimentos constantes e arrependimentos que contornam a eternidade. Arrependimentos simplesmente guardados nos bolsos das calças que mais tarde ou mais cedo se desfazem na máquina de lavar e arrependimentos presos debaixo da almofada ao deitar. Há arrependimentos e arrependimentos. Não te arrependas!

domingo, 10 de maio de 2015

Bora fugir daqui?

Acho que saía daqui por uns tempos. Mochila às costas e adeus. Adeus aos momentos vividos e aos que ficaram por viver. Adeus às memórias permanentes. Adeus às ideias guardadas no tempo e que nunca foram concretizadas. O habitual. Alimentar falsas esperanças é o pão de cada dia. Podíamos fugir. Ou melhor: eu podia fugir. Seja o que for. Venha o que vier. Sentir a adrenalina de não deixar de fazer cenas por causa de medos conjuntos. Eu. Pelo meu próprio pé. No meu próprio mundo. Um adeus. Eterno ou não será sempre um adeus. Adeus às horas de revolta. Às duas luzes do universo: o dia e a noite. Às conversas noturnas escondidas de todos. O que ninguém sabe, ninguém estraga. E adeus aos olhares discretos perdidos na revolta da noite entre a imensidão de gente de alma vazia. Adeus a tudo. Adeus a todos. Um até logo permanente.