Sempre apreciei o louco. O louco por mim e o louco por ti. Simplesmente vivo na loucura dos mundos. Na loucura das pressas e das não pressas. É loucura. Comprimir todos os sonhos e guardá-los numa caixa. Abrir a tampa mais tarde. É loucura. Sonhos são loucuras escondidas dos outros. E esconder-me é loucura. Vivemos todos na loucura de momentos. Na loucura de acabar o que nos foi pedido. Prazos são loucuras. E loucura é loucura. Quem é o louco que dorme durante a noite e respira durante o dia? Quem é o louco que acredita num Mundo de impostos e dinheiros mal pagos? Loucos são loucos. A loucura move loucos. Move copos de mão para mão. Move carros de país para país. E move pés. Loucura move ventanias de pés descalços. É verdade. Pés. Loucura é um pedido não habitual. Uma desculpa não desculpada e sete elefantes no mesmo quarto. E mesmo assim é possível. Diminuem-se os elefantes ou aumenta-se o quarto. É loucura. Profunda. Daquela de tipos. Tipo "Isso é impossível!" ou "Não vais conseguir!". É loucura, minha gente desloucada. Loucura é pedirem-me que fique em casa num dia de chuva. Chuva é loucura. E os loucos são vocês.
domingo, 14 de junho de 2015
É loucura, minha gente desloucada.
terça-feira, 2 de junho de 2015
A todo o Sr.Examinador que por aí anda.
Examinam de manhã, quando nos pedem para nos levantarmos cedo e como se não bastasse examinam-nos à noite, de forma a que nos deitemos cedo para nos podermos levantar cedo. Ciclos rotinosos. Examinam-nos de alto a baixo. No trabalho. Na escola. Na rua. Somos examinados de alto a baixo p'ra aí umas três vezes. Dos pés à cabeça. Do cabelo à mais feia unha do pé. Examinam-nos na caixa do supermercado. Aparências desenvolvidas na altura que sucede a horas de espera nas tão desejadas filas de supermercado. Burros. Examinam-nos pelo humor com que acordamos. Pelo que dizemos no decorrer de um dia péssimo. Examinam-nos pela cor dos olhos. E que os olhos falem Sr.Examinador! Examinam-nos pelo nosso percurso escolar. Mesmo depois de anos, papéis continuam a ser mais importantes que palavras. PALAVRAS. Examinam-nos pelo nosso emprego de horas. Examinam-nos pelos livros que carregamos nos braços, que por sua vez podem ser fininhos, grossos, peludos, compridos, amarelos, com borbulhas, ásperos e não ásperos, com sinais ou até os mais tortos do Mundo. Examinam-nos por tudo e por nada. Por um copo na mão. Pelo indivíduo que nos acompanha. Pela chave do carro que trazemos no bolso das calças. Somos rotulados e examinados na exaustão de simplesmente examinar. E que resultados devem ser esses!? Aparências iludem. Faça o favor de se examinar Sr.Examinador que por aí anda. Examine-se a você. Três vezes. Número da perfeição.
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Este é o meu Mundo. Calem-se todos.
Persistir. Por grandes deceções. Lutar até ser o melhor. Alcançar o objetivo. O derradeiro. Ser finalmente reconhecido. Por ti próprio. Tanto na vitória como na derrota. Lutar por quem deposita toda a confiança em ti. Todo o orgulho. Todos os passos de um ano ou dois. Todos os momentos eufóricos vividos no sentido de mascarar a luta que realizamos todos os dias. Ao acordar e ao deitar. No decorrer de dias que não chegam ao fim. Naquelas duas horas de pleno "Este é o meu Mundo. Calem-se todos!". Lutar sempre trouxe problemas. Mas é nos momentos mais difíceis que os nossos verdadeiros "Eu's" despertam. Numa luta conjunta. Numa vitória de etapas. Num percurso sem borrachas. Sem "Vamos voltar atrás e fazer tudo de novo". Isso não existe. Não há cá segundas oportunidades. O que tiver que ser, será. Agora. No momento. Tempo. Lutar implica decisões. Cabeça. Pensar e repensar. É a cabeça. Formigueiros e arrepios. Será sempre a cabeça. No bom e no mau a cabeça decide. Efetua hiperligações de horas com momentos passados. Destrói esperanças de minutos. E cria novos "Ai e agora. Não consigo.". É esta bola redonda que carregamos que decide. Psicologicamente. Ou fisicamente. Será sempre a grande cabeça.
domingo, 17 de maio de 2015
Eu bem te avisei.
Há arrependimentos e arrependimentos. Os que vêm acompanhados de desculpa e os que não vêm. Os que levam a horas de pensamento e os que são esquecidos no momento. Há arrependimentos conjuntos e arrependimentos solitários, que te fazem sofrer deitado na cama, de porta fechada e luz apagada. Há arrependimentos inconturnáveis e outros memoráveis. Arrependimentos que vêm acompanhados de um "Eu bem te avisei" ou um "Isso passa", mas que nunca chega a passar porque o ser humano é burro o suficiente para simplesmente não ultrapassar. Há arrependimentos noturnos e diurnos. Mas há que eleger a vasta gama de estrelas que já ouviu lamentáveis choros e assistiu a incontornáveis discussões mentais solitárias. Há arrependimentos de voltar atrás e arrependimentos de não voltar. E como tudo na vida, há bons e maus arrependimentos. Daqueles de guardar na grande caixa vermelha, sem portas nem janelas, que carregamos ao peito e daqueles que são atirados pela janela do carro, num dia de chuva a alta velocidade. Também há arrependimentos que matam. De saudades. De " Eu podia ter feito mais". De palavras que não são ditas na altura certa. Há arrependimentos de arrependidos e de não arrependidos. Arrependimentos escritos em linhas e arrependimentos falados de horas. Há arrependimentos constantes e arrependimentos que contornam a eternidade. Arrependimentos simplesmente guardados nos bolsos das calças que mais tarde ou mais cedo se desfazem na máquina de lavar e arrependimentos presos debaixo da almofada ao deitar. Há arrependimentos e arrependimentos. Não te arrependas!
domingo, 10 de maio de 2015
Bora fugir daqui?
Acho que saía daqui por uns tempos. Mochila às costas e adeus. Adeus aos momentos vividos e aos que ficaram por viver. Adeus às memórias permanentes. Adeus às ideias guardadas no tempo e que nunca foram concretizadas. O habitual. Alimentar falsas esperanças é o pão de cada dia. Podíamos fugir. Ou melhor: eu podia fugir. Seja o que for. Venha o que vier. Sentir a adrenalina de não deixar de fazer cenas por causa de medos conjuntos. Eu. Pelo meu próprio pé. No meu próprio mundo. Um adeus. Eterno ou não será sempre um adeus. Adeus às horas de revolta. Às duas luzes do universo: o dia e a noite. Às conversas noturnas escondidas de todos. O que ninguém sabe, ninguém estraga. E adeus aos olhares discretos perdidos na revolta da noite entre a imensidão de gente de alma vazia. Adeus a tudo. Adeus a todos. Um até logo permanente.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Não há eternidades infinitas.
O tempo passa e as pessoas mudam. Não há cá um "somos para sempre" ou "até que a morte nos separe". Simplesmente não há. As pessoas mudam. De sitios, de personalidades, de momentos. Não há pessoas eternas. Não pode haver apegos constantes. Eles não vão durar. Nunca duram. É ciclico. Tal como os gelados as pessoas derretem ao longo do tempo. Tornam-se mais normais. Mais "Anda cá" e "Ai adoro". E depois olha. Andam sempre com lamechices. É porque isto não resulta e aquilo não desenvolve. Descolem. Não há eternidades infinitas. Não há tempo suficiente para nada. Não há luas todos os dias. Descolem e avancem. Passem à frente. De tudo. De todos. Na fila do supermercado. Sei lá. Desenvolvam o sistema. Abstraiam-se do mundo. Do tempo. O resto é nada. Sobrevivam
terça-feira, 7 de abril de 2015
Insistem muito em coisas que foram feitas para não serem insistidas.
Insistem muito em coisas que foram feitas para não serem insistidas. Insistem demasiado. Insistem em assuntos pendentes ou esquecidos no tempo. Insistem em insistências permanentes. Insistem nisto e naquilo e principalmente no insistível. Insistem em comboios de problemas. Insistem em preocupações não preocupáveis. Sei lá. Insistem por tudo e por nada. Insistem em não lamber a tampa do iogurte porque é politicamente incorrecto. Insistem em não mandar o chefe bugiar porque é o chefe. Insistem em insistir e a insistência mata. Insistem em sonhar no que não pode acontece, em fazer o correto porque o errado pode despedir. Insistem em adormecer tortos no sofá. Insistem em não rebolar na areia quando estão molhados porque sim. Porque entra e é uma chatice tirá-la. Calões. Insistem por tudo e por quase tudo. Insistem temporária e permanentemente. Insistem simplesmente. Insistem no perfeito, nos limites do tempo. No relembrar. Insistem no clássico e socialmente aceitável. Insistem no complicado. Insistem num "meu" impartilhável. Insistem num espaço reduzido a conhecidos de família. Enfim. Insistem no mundo. Seus "insistíveis". Insistem muito em coisas que foram feitas para não serem insistidas. Insistem.
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